Formar a próxima geração de negociadores comerciais na Zâmbia

Talvez não espere que um licenciado em Artes diga que um curso de política comercial foi a sua disciplina favorita, mas se perguntar a Zondwayo Duma, da Zâmbia, é exatamente isso o que ouvirá. Ao fim de quatro anos a estudar na Universidade da Zâmbia, este curso de final do ano foi aquele que cimentou o seu caminho profissional.

“O curso de Política Comercial e Desenvolvimento é um curso rico e prático. Proporcionou-me competências que valorizo bastante”, afirma Zondwayo Duma.

Pouco depois de se licenciar, Zondwayo Duma realizou vários estágios onde se mostrou apto a aplicar diretamente as competências que adquiriu, desde a recolha e análise de dados sobre o comércio até à lei da concorrência.

“Consegui ensinar colegas na minha anterior organização e na Associação de Fabricantes da Zâmbia, onde lido atualmente com várias questões comerciais enquanto estagiário. Na verdade, o Diretor Executivo em exercício é um antigo estudante do curso”, afirma.

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Zondwayo Duma é um dos 103 antigos estudantes que se licenciaram desde que o curso começou, em 2013. O curso surgiu quando o Ministério do Comércio e da Indústria se apercebeu de que a Zâmbia possuía especialistas insuficientes em negociações comerciais, lei do comércio e lei da concorrência.

Graças ao apoio do Quadro Integrado Reforçado (QIR), que está a ajudar a Zâmbia a reduzir a pobreza e a promover o desenvolvimento sustentável através da sua integração no sistema de comércio internacional, o Ministério abordou a Universidade da Zâmbia para propor uma colaboração num tipo diferente de programa de formação.

“O nosso objetivo era criar um curso universitário que permitisse que os licenciados contribuíssem para a formulação da política comercial e para as negociações comerciais”, afirma Griffin Nyirongo, Gestor de Projeto do QIR no Ministério do Comércio e da Indústria da Zâmbia.

UMA ABORDAGEM DIFERENTE

Incluído no Departamento de Estudos sobre Desenvolvimento, o curso segue uma abordagem diferente às disciplinas universitárias tradicionais, que são muitas vezes criticadas por serem demasiado teóricas.

“Concebemos este curso para ensinar competências do mundo real aos estudantes para que possam trabalhar com eficiência e promover o desenvolvimento da Zâmbia”, declara Wisdom Kaleng’a, chefe do Departamento de Estudos sobre Desenvolvimento na Universidade da Zâmbia e um dos principais formuladores do curso.

“O novo curso é bastante prático, contando com palestras de convidados da área da formulação de política comercial. Os estudantes responderam bem a esta abordagem”.

O curso atraiu um conjunto de parceiros do governo, do setor privado e da sociedade civil, que apoiam o curso dando palestras, oferecendo estágios aos estudantes e proporcionando formação aos professores universitários.

Desde 2015, o Conselho Nacional do Comércio da Suécia também já enviou 12 dos seus especialistas para darem palestras.

“Os estudantes estão tão felizes que conseguem aprender algo muito diferente e muito novo com os especialistas que estão envolvidos na área da política comercial e do desenvolvimento”, acrescenta Wisdom Kaleng’a.

Wisdom Kaleng’a recorda a primeira palestra, dada por Isabelle Ahlström, do Conselho Nacional do Comércio, numa introdução à política comercial. A primeira palestra expôs a inadequação das salas de palestras da Universidade da Zâmbia, já que as instalações de TI eram insatisfatórias e havia necessidade de uma sala diferente.

“Tivemos a imensa sorte de a Embaixada da Suécia em Lusaca nos oferecer um local para realizar estas palestras, além de ter proporcionado transporte e almoço aos estudantes, por isso o seu bem-estar foi assegurado”, declara Wisdom Kaleng’a.

Cada palestra tem sido uma experiência de aprendizagem para Wisdom Kaleng’a.

“Aprendi bastante sobre política comercial, bem como sobre diferentes metodologias de ensino”, afirma.

FORMAÇÃO DE FORMADORES

Apercebendo-se do sucesso do curso, duas outras universidades da Zâmbia, as Universidades de Mulungushi e Copperbelt, empenharam-se em introduzir um curso semelhante nos seus programas.

“Cada universidade tem a liberdade de formular o seu próprio programa”, afirma Griffin Nyirongo.

O Conselho Nacional do Comércio ofereceu-se para formar os professores destas universidades através de um programa de formação de formadores. Os professores participaram num programa centrado tanto no ensino de metodologias e conceitos de aprendizagem como na política comercial através de um curso avançado de política comercial, designado por “Academia do Comércio”, realizado em Estocolmo todos os anos. A Academia oferece conhecimentos abrangentes sobre o comércio moderno e os regulamentos do comércio, bem como competências de análise, formulação e implementação da política comercial. O programa de formação tem por objetivo dotar os professores locais das competências, confiança e conhecimento necessários para liderarem o processo de ensino independentemente dos “especialistas” externos.

Wisdom Kaleng’a participou na formação em outubro de 2017 afirma que a experiência foi “difícil de descrever numa só frase”.

“Os conhecimentos que adquirimos foram tão vastos. Saímos dali com ferramentas, métodos e informação e a confiança para transferi-los para os nossos alunos. Os benefícios serão enormes para o ensino na Universidade da Zâmbia, mas também para as minha interações na sociedade”, afirma.

OPORTUNIDADES NO MUNDO REAL

Os estudantes são fortemente encorajados a realizar estágios durante o curso e as organizações parceiras do curso oferecem uma boa ligação para as oportunidades do mundo real que os aguardam.

“Um antigo aluno está a trabalhar no Centro de Comércio, Política e Desenvolvimento. Inicialmente era um estagiário e agora é empregado a tempo inteiro. O diretor e outros colegas estão muito entusiasmados com os conhecimentos e as competências que ele já possuía antes de ingressar na organização. É uma pessoa-chave no Centro”, afirma Wisdom Kaleng’a.

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Cimentando a sua liderança, a Universidade da Zâmbia está agora a ponderar a oferta de um curso noturno mais curto como oportunidade de desenvolvimento profissional para pessoas que já se encontram na força de trabalho mas que procuram aumentar os seus conhecimentos de política comercial.

“As universidades têm um papel real a desempenhar no comércio e continuaremos a liderar a educação sobre política comercial para o desenvolvimento nacional da Zâmbia”, declara Wisdom Kaleng’a.

Tirando partido desta dinâmica, o QIR está a apoiar esforços para conseguir uma acreditação reconhecida globalmente para estes cursos, proporcionando cada vez mais ligações com empresas e parceiros comerciais em todo o mundo. Em vista da necessidade de diversificar a economia da Zâmbia, oferecer mais empregos e oportunidades económicas, esta nova geração de profissionais do comércio assegura que a Zâmbia possui as competências necessárias para crescer e tirar partido de possibilidades dinâmicas a nível do comércio regional e global.